terça-feira, 12 de maio de 2020

EVOLUÇÃO

O vírus nos força a ficar em casa e, para infortúnio de vocês, incautos leitores, o ócio pandêmico me trouxe de volta a escrita.

Resolvi escrever para não engrossar as fileiras daqueles que passam o dia inteiro reclamando.
Aliás, agora que estou tendo mais tempo para contemplar a espécie humana fico ainda mais espantado com nossa incrível habilidade para reclamar da vida.

Reclamamos que trabalhamos demais, reclamamos mais ainda quando estamos sem trabalho.
Quem está casado reclama do relacionamento, quem está solteiro reclama da solidão, reclamamos da péssima qualidade do futebol atual e ainda mais da falta do futebol na televisão, e o mesmo se aplica a tudo, infinitamente, nenhum fenômeno está livre dos nossos lamentos.

Aliás, a vocação para lamúria encontra-se tão profundamente arraigada na humanidade que suspeito que esse seja um traço característico da nossa espécie.

Talvez, se Darwin tivesse tido mais um ou dois meses de prazo para escrever sua teoria da evolução tivesse reparado que nós não descendemos do macaco.

Digo e explico, nós não descendemos de qualquer macaco. Afinal de contas o macaco “médium” continua macaqueando até hoje, carregando apenas suas símias preocupações, sem se importar com pandemias, desemprego, bolsa de valores, política ou previdência.

A espécie humana descende do macaco descontente. Um macaco esquisitão, que não achava graça em catar piolho nos colegas e sentia falta de harmonizar a banana com alguma coisa que ele não sabia o que era (talvez seriguela).

Foi esse macaco descontente que desceu da árvore, resolveu andar ereto, criou a roda, a escrita, o motor a combustão, a energia elétrica, a tv, o computador e, por fim, a internet, a mais sublime das invenções para uma espécie geneticamente programada para se lamentar.

É duro dizer isso em tempos de pandemia mas suspeito que a internet feche o nosso ciclo evolutivo, pois, enfim, após milhares de anos de evolução os descendentes do macaco insatisfeito conseguiram construir uma plataforma global de exteriorização de suas frustrações.

Agora o homo sapiens pode realmente mostrar a que veio e reclamar visceralmente de tudo, principalmente, de assuntos que ele não entende.... é a força do determinismo genético do macaco insatisfeito elevado a sua potência máxima.

É amigo, depois da internet é só ladeira abaixo...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SOLIDARIEDADE

Os profetas do apocalipse adoram alardear que o mundo está perdido e que a humanidade não tem jeito.

Não concordo com estas afirmações. Acho que os propagadores de tais teorias são todos homens de pouca fé. Verdadeiros homens bule.

A prova maior que a humanidade não está perdida é o cadarço desamarrado.

Quer ver a bondade que habita o coração dos homens? Saia com o cadarço desamarrado.

Nunca me perguntaram para onde eu vou ou porque estou com os olhos vermelhos e cara de poucos amigos, mas basta sair de casa com o tênis desamarrado para as pessoas atravessarem a rua e me interpelarem: Seu cadarço!!!

Uma vez uma senhora de 80 anos me perseguiu por dois quarteirões só para me avisar que meu cadarço estava desamarrado.

Não sei explicar cientificamente o fenômeno, mas o fato é que o cadarço desamarrado atinge a última reserva moral da humanidade e faz com que as pessoas se interessem pelo seu semelhante (interesse este que se dissipa assim que o bendito cadarço é devidamente amarrado).

Acho que o cadarço desamarrado é a fronteira final da solidariedade humana. No dia em que um indivíduo for indiferente ao cadarço alheio, nada mais restará.

Por isso, como sou um otimista no futuro da humanidade lanço aqui um manifesto.

Permita a seu próximo fazer uma boa ação. Saia de casa com o cadarço desamarrado!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

HOMO CATAR

Impressionante como nós, seres humanos, temos necessidade de criar classificações para tudo, inclusive para nós mesmos.

Ultimamente, apenas em relação à sexualidade temos inúmeras categorias diferentes de homens: Heterossexual, metrossexual, bissexual, homossexual, pansexual, multissexual e outras tantas.

Cientificamente nossa espécie é chamada de Homo Sapiens. E não é pra menos. O ser humano é um animal sublime, dotado de grande inteligência e capaz de realizar feitos incríveis.

Nos últimos cem anos o Homem dominou os céus, construiu bases no espaço, foi ao fundo do mar, e brincou de Deus ao mapear o código genético.

Embasbacados com nosso próprio intelecto nos denominamos sapiens.

Apesar de todos estes avanços o Homem continua a se deparar com escolhas simples em seu cotidiano.

Todos os dias, ou pelo menos uma vez a cada inverno, cada um de nós se depara com uma questão existencial e complexa. Engolir ou cuspir o catarro.

Isso mesmo, você pode virar a cara, torcer o nariz, mas é a mais pura realidade, só existem dois tipos de Homem: aqueles que engolem o catarro e aqueles que o cospem.

Pense na figura histórica de sua predileção. Albert Einstein? Pois saiba que o gênio da física teve de fazer esta escolha.

Assim, como também sou humano, e como tal também gosto de classificar e rotular pensei em uma nova divisão, capaz de separar os seres humanos em duas subespécies. Engolidores e Cuspidores

Pra não dizer que esta classificação é meramente depreciativa lembre-se que pelo menos ela serve pra desmentir o velho jargão repetido pelas mulheres de que os homens são todos iguais.

Mentira, não são...

Depressão Olímpica

Recentemente li que o número de suicídios aumenta enormemente durante as festas de fim de ano.

Pode ser verdade, mas, a mim, as festividades natalinas não abalam.

Melhor dizendo, não me abalam emocionalmente, pois, comumente, tais festas desmoronam com o equilíbrio do meu sistema digestivo.

De qualquer forma, os abalos provocados pelas festividades de fim de ano ficam restritos as minhas vísceras menos nobres, não chegando a afetar minha saúde psíquica.

Entretanto, de 04 em 04 anos, existe uma festa que me deixa realmente deprimido.

As olimpíadas.

Não que eu seja contra o esporte, ao contrário, adoro... mas, ver todos aqueles jovens, sarados, realizando proezas incríveis me faz pensar o que eu fiz do meu corpo.

É meus caros, neste momento eu me arrependo das cervejinhas no fim do expediente, do churrasquinho, tira-gostos, pizzas e afins.

Fico imaginando que se um extra-terrestre chegasse a terra e visse o Usain Bolt cortando a pista como um raio ao mesmo tempo em que eu me arrasto da sala de televisão até a cozinha ele dificilmente acreditaria que pertencemos a mesma espécie.

Tamanho sentimento de inferioridade em relação aos atletas me impele a querer mudar urgentemente os rumos da minha vida.

Tocado pelo ímpeto de me transformar, levanto-me velozmente (14 segundos de acordo com a cronometragem extra-oficial), ando até a sala e começo a traçar os planos de mudança na minha rotina (planos que começarão a ser executados já na próxima segunda-feira), durante a elaboração do projeto abro uma cervejinha para clarear as idéias e, como ninguém é de ferro, pego umas costelinhas na geladeira pra servir de aperitivo.

As próximas olimpíadas que me aguardem.