segunda-feira, 28 de junho de 2010

Depressão Olímpica

Recentemente li que o número de suicídios aumenta enormemente durante as festas de fim de ano.

Pode ser verdade, mas, a mim, as festividades natalinas não abalam.

Melhor dizendo, não me abalam emocionalmente, pois, comumente, tais festas desmoronam com o equilíbrio do meu sistema digestivo.

De qualquer forma, os abalos provocados pelas festividades de fim de ano ficam restritos as minhas vísceras menos nobres, não chegando a afetar minha saúde psíquica.

Entretanto, de 04 em 04 anos, existe uma festa que me deixa realmente deprimido.

As olimpíadas.

Não que eu seja contra o esporte, ao contrário, adoro... mas, ver todos aqueles jovens, sarados, realizando proezas incríveis me faz pensar o que eu fiz do meu corpo.

É meus caros, neste momento eu me arrependo das cervejinhas no fim do expediente, do churrasquinho, tira-gostos, pizzas e afins.

Fico imaginando que se um extra-terrestre chegasse a terra e visse o Usain Bolt cortando a pista como um raio ao mesmo tempo em que eu me arrasto da sala de televisão até a cozinha ele dificilmente acreditaria que pertencemos a mesma espécie.

Tamanho sentimento de inferioridade em relação aos atletas me impele a querer mudar urgentemente os rumos da minha vida.

Tocado pelo ímpeto de me transformar, levanto-me velozmente (14 segundos de acordo com a cronometragem extra-oficial), ando até a sala e começo a traçar os planos de mudança na minha rotina (planos que começarão a ser executados já na próxima segunda-feira), durante a elaboração do projeto abro uma cervejinha para clarear as idéias e, como ninguém é de ferro, pego umas costelinhas na geladeira pra servir de aperitivo.

As próximas olimpíadas que me aguardem.

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